Atualmente, o que se tem visto é uma intensa e nada amistosa “queda de braço” entre o governo, que quer implementar rapidamente as medidas que julga necessárias para tentar colocar o país nos eixos, e fazê-lo voltar a crescer, e o Congresso Nacional, que precisa validar essas decisões.
E, em meio a esse impasse, a economia brasileira segue à deriva, em que as reformas estruturais prometidas e necessárias não avançam, o alto índice de desemprego prevalece e o desânimo começa a se abater sobre o empresariado e a população em geral, gerando um certo clima impaciência.
Embora o recente acirramento das hostilidades entre o Executivo e o Legislativo sugira a iminência de uma “ruptura institucional”, o jornalista e consultor político Luís Costa Pinto avalia que o regime democrático brasileiro não corre esse risco. “A pior coisa de quem faz a análise de cenários é virar engenheiro de obra feita. Eu gosto de olhar para frente de maneira responsável, e não vejo nenhum risco de ruptura desse edifício institucional, embora consiga ver algumas tentativas nesse sentido”, diz ele, se referindo a alguns discursos mais inflamados, em que alguns setores da sociedade clamam aos militares, o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF). “Espero não ser desmentido pelos fatos, mas não vejo, no momento, a mínima possibilidade da instauração de uma ditadura militar ou de um regime autocrático.
Ao longo do tempo, as Forças Armadas entenderam muito bem qual é o papel delas neste contexto, que é o de reforço constitucional.
Então, elas não irão transgredir, como não fizeram no impeachment da Dilma, em 2016, nem durante o processo eleitoral de 2018, que foi muito duro”, explica o ex-editor e chefe de sucursais de veículos como a Veja, Folha de São Paulo e O Globo.
Segundo ele, o embate político faz parte do jogo democrático. “Não tenho dúvidas que a Reforma da Previdência será aprovada em qualquer cenário, mesmo porque ela é imprescindível para que o país não caia numa profunda crise fiscal. Contudo, certamente, não será essa que o governo quer, mas sim aquela que vier pactuada de dentro do Congresso Nacional”, diz ele, afirmando que o Legislativo dará ao governo as condições necessárias de governabilidade, se isso for devidamente costurado.