Postado em 27/03/2019
A ETERNA NOVELA DO BREXIT
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Depois de meses de debates, discussões e conflitos, bem ou mal, o jogo do BREXIT começava a se encaminhar para um desfecho na data programada de sua efetivação, em 29 de março próximo. Porém, nas últimas semanas, mais um óbice deixou tudo isso indefinido outra vez. Lutando para obter a ratificação no Parlamento britânico, de um ajustamento que já foi aprovado pela União Europeia (UE) em novembro passado, a primeira ministra Thereza May foi obrigada a solicitar o adiamento desse “divórcio”, propondo a data de 30 de junho para que isso ocorresse. Na semana passada, porém, os líderes dos 27 países do bloco decidiram favoravelmente pela prorrogação, mas a concederam somente até o dia 22 de maio, véspera do início da eleição para o Parlamento europeu. E, ainda assim, essa protelação foi condicionada à aprovação integral dos termos do acordo já proposto pela premiê à Câmara dos Comuns, que, por sua vez, se recusa sequer a colocar em pauta qualquer texto que não seja substancialmente diferente daqueles que já foram apresentados e reprovados até aqui.

Como tanto os ingleses como os europeus se mostram irredutíveis nas suas posições, surge ai um novo impasse, que traz de volta a possibilidade de ocorrer uma separação abrupta, dura e sem regras estabelecidas de transição (No Deal), cenário esse que seria catastrófico para ambas as partes que, certamente, irão sofrer graves perdas políticas, econômicas e sociais resultantes, como, por exemplo, experimentar o desabastecimento generalizado de produtos. Segundo o cientista político Kai Enno Lehmann, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (IRI-USP), o saldo dessa queda de braço interna e externa deixou o Reino Unido numa posição fragilizada.
“No caso de uma saída sem acordo, um cenário profundamente caótico para a economia e à sociedade irá se instalar em poucos dias. E, com a calamidade presente, cedo ou tarde os britânicos vão ter de negociar um acordo urgente com a UE, ou, até mesmo, renunciar ao BREXIT, o que certamente seria aceito, mas que agora, fatalmente, será nos termos que forem ditados pelos europeus”, explica ele.
De todo modo, o prolongamento dessa indefinição já está afetando negativamente todo o cenário internacional, inclusive o Brasil. Segundo estudos do Banco Mundial, a economia global vai crescer menos do que era esperado para esse ano.