Postado em 29/10/2025
aguenta taxa Selic
Ninguém aguenta mais esta taxa Selic e o desequilíbrio fiscal
O economista Roberto Troster apresentou uma análise sobre o comportamento da taxa básica de juros e suas implicações para a economia brasileira. O especialista destacou fatores que influenciam as expectativas do mercado, a dinâmica da inflação e os possíveis efeitos de uma redução gradual da Selic sobre o crédito e o crescimento econômico. Atualmente, a taxa Selic encontra-se em 15%, servindo como referência para todas as demais taxas de juros da economia. As projeções predominantes indicam que o processo de redução deverá ocorrer de forma gradual a partir do início do próximo ano. No entanto, Troster observa que há espaço para um cenário mais otimista, sustentado pela tendência de queda nas expectativas de inflação, que são determinantes para as decisões de política monetária. De acordo com o economista, as estimativas de inflação para este e o próximo ano vêm sendo revisadas para baixo de forma contínua. Esse movimento está associado, principalmente, ao comportamento de dois grupos de variáveis. O primeiro é o dos bens comercializáveis — produtos e serviços influenciados diretamente pela taxa de câmbio. Com a recente valorização da moeda nacional e a consequente queda do dólar, observa-se redução nos preços de itens como combustíveis e alguns alimentos, contribuindo para a desaceleração inflacionária. Troster destacou o exemplo da gasolina, cujo preço foi reduzido pela Petrobras, movimento que pode se repetir caso o valor do petróleo no mercado internacional continue em declínio. A queda nos preços dos combustíveis tende a impactar positivamente o setor de transportes, reduzindo custos e, por consequência, diminuindo a pressão sobre os índices gerais de preços. O segundo grupo de variáveis apontado na análise é o dos serviços. Segundo o economista, não há sinais de aumento significativo nesse segmento, o que indica que a política monetária de juros elevados vem cumprindo o papel de conter a demanda e estabilizar os preços. Essa combinação de fatores cria condições favoráveis para que o Banco Central sinalize, ainda neste ano, a possibilidade de início de um ciclo de redução da taxa básica de juros. A diminuição da Selic, quando ocorrer, deverá refletir em menor custo de crédito, ampliando o acesso a financiamentos e estimulando a atividade econômica. O aumento do crédito e a consequente redução da inadimplência tendem a impulsionar o consumo e os investimentos, favorecendo o crescimento do país.
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