Postado em 02/09/2026
as grandes estão quebrando
O aumento dos pedidos de recuperação judicial e extrajudicial entre empresas de diferentes setores expõe uma deterioração do ambiente de negócios e amplia a preocupação com a situação de micro, pequenas e médias empresas. Para o economista Otto Nogami, o movimento não pode ser interpretado apenas como resultado de falhas de gestão. O cenário econômico passou a impor uma série de obstáculos à operação das empresas. Entre os fatores estão os juros elevados, o custo do crédito, a inflação, a burocracia, a inadimplência e o aumento das obrigações impostas aos empresários. A combinação desses elementos reduz o espaço para a gestão financeira e dificulta a manutenção das atividades, sobretudo entre negócios de menor porte. A política fiscal também entra nesse quadro. O crescimento dos gastos públicos, segundo Nogami, ocorre em um momento de pressão sobre as contas e contribui para manter o consumo aquecido. Com a inflação demorando a ceder, a taxa básica de juros permanece em patamar elevado, próximo de 14%, elevando o custo de financiamento para empresas e consumidores. Para os pequenos negócios, os efeitos aparecem em despesas como aluguel e energia elétrica, além da folha de pagamentos. A carga tributária elevada, somada à complexidade dos procedimentos para o recolhimento dos impostos, acrescenta outra camada de dificuldade à administração. A pressão também alcança a relação com fornecedores e clientes. De um lado, empresas encontram fornecedores mais rígidos nas condições de pagamento. De outro, a inadimplência dos consumidores afeta o fluxo de caixa. Os bancos, ao mesmo tempo, passam a adotar critérios mais seletivos para a concessão de crédito. Nesse cenário, o aumento das recuperações judiciais e extrajudiciais deixa de ser visto como um conjunto de casos isolados. A avaliação é de que a dificuldade enfrentada pelas empresas resulta da combinação de fatores que atingem diferentes pontos da atividade econômica. A análise também desloca o foco da responsabilidade individual dos gestores para as condições em que os negócios estão operando, já que o aumento das dificuldades empresariais decorre de uma pressão simultânea sobre custos, crédito, demanda e capacidade de pagamento, e não de uma onda isolada de erros de gestão. Para micro e pequenas empresas, que possuem menor margem financeira para absorver aumentos de custos e restrições de crédito, a combinação desses fatores amplia o risco de redução das operações e de atraso nos pagamentos, com maior necessidade de renegociar dívidas. Assista:
Fonte: Juros Altos: Se as grandes estão quebrando, imagine as pequenas empresas