E agora? Se prepare para o impacto das decisões dos EUA sobre o Brasil

Postado em 06/08/2025


E agora? Se prepare para o impacto das decisões dos EUA sobre o Brasil

E agoraaaa

As tensões no comércio internacional têm levantado questionamentos sobre os rumos das relações entre as principais economias do mundo e seus efeitos sobre países emergentes como o Brasil. Em um cenário marcado por disputas comerciais, movimentos protecionistas e incertezas institucionais, compreender o impacto dessas decisões é essencial para empresários, investidores e formuladores de políticas públicas. Para aprofundar esse debate, o programa A Hora e a Vez da Pequena Empresa recebeu o economista Jankiel Santos, especialista em assuntos internacionais, para analisar o cenário econômico global sob as medidas adotadas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Para Jankiel, embora o discurso oficial remeta à proteção da indústria norte-americana, os fundamentos econômicos não sustentam essa narrativa. Ele aponta que a decisão possui forte componente político, refletindo a tentativa de pressionar o Brasil diante de sua aproximação estratégica com os BRICS, em especial com a China, hoje principal rival dos Estados Unidos no campo geopolítico. Além disso, questões legislativas internas também influenciaram o gesto, já que algumas normas brasileiras acabaram impactando interesses de empresas norte-americanas. Nesse contexto, o comércio exterior passou a ser utilizado como ferramenta de pressão diplomática, mais do que como instrumento de equilíbrio econômico.Ao analisar os dados da balança comercial entre os dois países, Jankiel mostra que os Estados Unidos mantêm superávit nas trocas com o Brasil — ou seja, vendem mais do que compram. Esse dado contradiz o argumento de que os produtos brasileiros estariam invadindo o mercado norte-americano a preços avassaladores. Segundo ele, as exportações do Brasil representam apenas 1% do total importado pelos EUA, enquanto as importações brasileiras de produtos norte-americanos somam cerca de 2% das exportações dos Estados Unidos. Embora existam produtos com peso simbólico e comercial — como petróleo, carne bovina, suco de laranja e aeronaves —, o volume geral das trocas está longe de justificar a agressividade da medida adotada. Isso reforça a percepção de que a motivação principal é política, e não econômica. A adoção de tarifas unilaterais traz impactos que vão além dos números. Essas decisões comprometem a previsibilidade nas relações comerciais, elemento importante para o planejamento de empresas e países. Ao firmar um contrato com parceiros norte-americanos, cresce a incerteza sobre a validade futura dos termos acordados. A possibilidade de mudanças repentinas por meio de decretos ou imposições tarifárias mina a confiança dos investidores e cria obstáculos para a fluidez dos negócios. O economista alerta que esse tipo de instabilidade atua como um fator de atrito nas engrenagens do comércio global, reduzindo a eficiência das operações e dificultando a expansão de mercados. Outro ponto abordado foi a intenção do governo Trump de incentivar a volta da produção industrial aos Estados Unidos. Esse objetivo desconsidera os fatores estruturais que levam empresas a se internacionalizarem. A decisão de instalar uma fábrica envolve planejamento de longo prazo e considera custos de produção, infraestrutura e disponibilidade de mão de obra. Nos Estados Unidos, o alto custo salarial representa um desafio relevante. Transferir unidades produtivas para o país eleva o preço final dos produtos, o que pode reduzir a competitividade da indústria americana no mercado global. Além disso, como lembra Jankiel, essas decisões não se baseiam em mandatos presidenciais de quatro anos, mas sim em estratégias de décadas. O retorno da produção ao território norte-americano, ao elevar salários e custos operacionais, pode gerar pressões inflacionárias. Esse aumento de preços obrigaria o Federal Reserve (FED) a adotar juros ainda mais altos, num movimento que já tem sido alvo de críticas por parte do próprio ex-presidente. O problema, entretanto, vai além das fronteiras norte-americanas. Como os EUA servem de referência para o restante do mundo em termos de política monetária, uma elevação das taxas de juros no país tende a influenciar diretamente o custo do crédito e o ritmo da economia global. Com isso, o efeito dominó pode se traduzir em desaceleração econômica, redução de investimentos, queda na geração de empregos e menor crescimento em diversas regiões do planeta. Durante a entrevista, o economista também foi questionado sobre a possibilidade de substituição do dólar como moeda de referência no comércio internacional. Embora considere improvável uma ruptura no curto prazo, ele avalia que os sinais de instabilidade e as medidas unilaterais adotadas pelos Estados Unidos podem incentivar países a buscarem alternativas. A construção de canais financeiros paralelos e a utilização de outras moedas em acordos bilaterais tendem a crescer diante da percepção de que o dólar, embora ainda hegemônico, não é mais inquestionável. Nesse cenário, o próprio governo norte-americano pode estar contribuindo para o enfraquecimento da sua moeda ao estimular a desconfiança entre os parceiros comerciais. O Brasil, por sua vez, tem reagido ao novo contexto buscando diversificação de mercados e fortalecimento de relações com outras regiões. Esse movimento representa uma oportunidade. As restrições impostas abrem espaço para que o país aprofunde seus vínculos com a Ásia, com destaque para a China, além de firmar acordos com parceiros na Europa, América Latina e outras economias emergentes. Essa reorganização do comércio internacional pode levar à formação de blocos mais coesos e integrados, ampliando a cooperação entre nações e criando uma rede de relações menos dependente de um único polo de poder. A China, neste novo desenho, tende a ampliar sua relevância. Com crescimento robusto, planejamento estratégico de longo prazo e uma postura pragmática diante dos desafios, o país asiático já ocupa o posto de principal parceiro comercial do Brasil, superando os Estados Unidos com folga. Para Jankiel, a influência chinesa continuará crescendo, independentemente da vontade norte-americana. Esse avanço remete a um cenário semelhante ao protagonismo norte-americano observado em décadas anteriores, mas com dinâmicas próprias, baseadas em metas de médio e longo prazo, capacidade de adaptação e flexibilidade nas relações multilaterais. Ao ser instado a pensar em um plano alternativo para os Estados Unidos diante de possíveis prejuízos, ele defende que o governo norte-americano considere a possibilidade de rever suas decisões. Na sua visão, insistir em políticas que já demonstram efeitos negativos pode aprofundar desequilíbrios estruturais e comprometer o futuro da economia americana. Recalcular a rota, admitir erros e reconstruir relações com parceiros estratégicos seriam passos mais sensatos diante de um cenário que se mostra cada vez mais instável. “Se você fez um erro, não insista no erro”, sintetizou o economista. Assista:

 

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Fonte: E agora? Se prepare para o impacto das decisões dos EUA sobre o Brasil