Após recessão, economia brasileira mantém surpresas positivas e projeta crescimento gradual, avalia Zeina Latif

Postado em 17/06/2025


Após recessão, economia brasileira mantém surpresas positivas e projeta crescimento gradual, avalia Zeina Latif

Economia traz suspresa

Após recessão, economia brasileira mantém surpresas positivas e projeta crescimento gradual, avalia Zeina Latif

A economia brasileira tem surpreendido com resultados acima do esperado nos últimos anos, mesmo diante de um ambiente global instável e de desafios internos complexos. Com sucessivas revisões para cima nas projeções de crescimento, efeitos cumulativos de reformas iniciadas há quase uma década e um cenário externo que ora protege, ora ameaça, o país caminha em meio a uma combinação de oportunidades e limitações. Ao mesmo tempo, questões fiscais, pressões sobre a carga tributária, a complexidade do sistema de impostos e a política de juros seguem no centro das discussões sobre o futuro econômico. Para aprofundar esses temas e ajudar a entender os movimentos que vêm desenhando o desempenho recente da economia, o programa A Hora e a Vez da Pequena Empresa recebeu esta semana a economista Zeina Nativa, sócia da Gibraltar Consulta. Segundo a especialista, o desempenho da atividade econômica desde 2021 tem sido marcado por surpresas positivas. No ano passado, o país encerrou com crescimento de 3,4%, bem acima da expectativa inicial de 1,5% feita pelos analistas no fim de 2023. Zeina enxerga nesse ritmo um sinal de fortalecimento gradual da economia brasileira, que ainda carrega cicatrizes da recessão severa entre 2014 e 2016. Ela compara o período recessivo ao de um paciente em UTI: ao sair, o organismo econômico precisou de anos para readquirir força e retomar sua capacidade plena de crescimento. Boa parte desse ganho vem da sequência de reformas estruturais iniciadas em 2016, ainda que o avanço da agenda não tenha ocorrido na velocidade ideal. Embora políticas fiscais expansionistas possam ter impulsionado parte do crescimento, há também, na avaliação dela, um ganho efetivo de musculatura econômica. Mesmo diante de uma esperada desaceleração ao longo deste ano, a economista acredita que o país ainda pode apresentar surpresas favoráveis, como indicam as revisões do Boletim Focus, que já elevou as projeções de crescimento para 2,2%. O ambiente internacional também entra na equação. As disputas comerciais envolvendo os Estados Unidos e a imposição de tarifas preocupam o comércio global, o Brasil segue relativamente protegido por conta de seu próprio fechamento econômico. Ainda que isso represente uma limitação estrutural no longo prazo, na presente ajuda a minimizar choques externos. Setores mais expostos, como aço e alumínio, podem sofrer impactos pontuais, mas no conjunto, o país se mantém menos vulnerável. Ela destacou ainda a atuação prudente da diplomacia brasileira ao buscar acordos pontuais e evitar alinhamentos automáticos em temas como a Nova Rota da Seda proposta pela China. No campo das exportações, o setor segue com margens razoáveis de rentabilidade, amparado por uma combinação favorável de câmbio depreciado e preços internacionais das commodities em níveis que ainda sustentam competitividade. A situação, claro, varia de setor para setor, mas no geral não se observa uma fragilidade estrutural preocupante no curto prazo. Quando o tema é carga tributária, Zeina aponta o excesso de novidades e alterações recentes como um fator de incerteza adicional. Ainda que algumas medidas tenham o mérito de buscar maior isonomia, a complexidade do sistema tributário brasileiro torna qualquer ajuste mais sensível. Após a aprovação da reforma do IVA, para ela, o mais prudente seria evitar novas mexidas significativas enquanto o setor produtivo ainda absorve as mudanças. O quadro fiscal, entretanto, é hoje o grande ponto de tensão. O país atingiu os limites de manobra tradicionais: a inflação já não é aceita pela sociedade como mecanismo de ajuste, o crescimento da dívida pública pressiona os juros, e há pouca margem para aumentos adicionais na carga tributária. O debate político inevitavelmente terá que enfrentar a discussão sobre a contenção de gastos públicos. Mesmo que grandes reformas ainda dependam de ambiente político mais favorável, a própria dificuldade fiscal pode estimular uma mudança de postura tanto no Congresso quanto na sociedade. Sobre a trajetória dos juros, a avaliação da sócia da Gibraltar Consulta é de estabilidade por um período prolongado. O Banco Central, afirma ela, não tem espaço no momento para cortes significativos, sobretudo diante da necessidade de preservar sua credibilidade e o compromisso com a meta de inflação de 3%. Embora considere que a redução da meta de 4,5% para 3% tenha sido apressada, Zeina defende que agora é preciso manter o compromisso com o objetivo estabelecido. A combinação entre ruídos políticos, incertezas fiscais e o próprio calendário eleitoral limita qualquer sinalização de flexibilização da política monetária no curto prazo. Apesar dos obstáculos, existem algumas sementes otimistas no cenário. Como o amadurecimento da sociedade, o maior dinamismo do setor produtivo e uma concorrência política mais ativa, fatores que, segundo ela, podem criar condições para que o país avance em sua performance econômica com maior justiça social e responsabilidade fiscal. Assista:

 

Fonte: Após recessão, economia brasileira mantém surpresas positivas e projeta crescimento gradual, avalia Zeina Latif