Postado em 26/08/2025
exportações de carne

O comércio internacional de carnes vem enfrentando mudanças recentes devido às tarifas impostas pelos Estados Unidos. A aplicação da alíquota de 50% sobre a carne brasileira gerou preocupação inicial, já que os norte-americanos representavam cerca de 8% das exportações e havia expectativa de que essa participação pudesse dobrar. A medida trouxe dúvidas sobre o efeito real no volume exportado e no desempenho da pecuária nacional. Para discutir esse cenário, o programa A Hora e a Vez da Pequena Empresa recebeu Sylvio Lazzarini, fundador e CEO do Grupo Varanda, com mais de 40 anos de atuação direta no setor agropecuário. Lazzarini trouxe informações sobre como o mercado reagiu à medida e o impacto nas cadeias produtivas brasileiras. Ele explicou que, apesar do impacto inicial, a reorganização do comércio internacional permitiu ao Brasil manter o volume de exportações. O México passou a intermediar parte da carne brasileira para os Estados Unidos, mantendo a entrada do produto brasileiro no mercado norte-americano. Dessa forma, o país não teve redução na receita, e a previsão é que esse ano registre recorde histórico em exportações de carne, segundo Lazzarini. Outros mercados reagiram à medida tarifária dos EUA, redirecionando suas compras para o Brasil. A China, por exemplo, diminuiu aquisições de carne americana e aumentou as compras brasileiras. Esse efeito também contribui para ampliação da produção, geração de empregos e fortalecimento do desenvolvimento econômico no setor. O executivo mencionou ainda a crise da gripe aviária no Rio Grande do Sul, lembrando que a maioria dos países já retomou as importações e que a China deve retornar em curto prazo. O tema das negociações internacionais também foi abordado. Apesar das medidas protecionistas, os Estados Unidos mantêm superávit comercial com o Brasil há 17 anos consecutivos. A condução das negociações pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, em parceria com o ministro Fernando Haddad, o Itamaraty e parlamentares, demonstra uma estratégia estruturada para minimizar impactos e assegurar resultados favoráveis ao país. A vantagem competitiva do Brasil em termos de custo de produção. A arroba do boi gordo custa cerca de 300 reais, enquanto nos Estados Unidos atinge 650 e na União Europeia 750. Lazzarini também apresentou o potencial de ampliação da produção por meio da integração lavoura-pecuária-floresta, prática que permite aumentar em até 50% a produção sem necessidade de expansão de áreas desmatadas, conciliando produtividade e sustentabilidade. A sustentabilidade e a responsabilidade ambiental foram apontadas como pontos essenciais para consolidar a imagem do Brasil no exterior. Iniciativas como a COP30 podem reforçar o reconhecimento internacional da produção brasileira. Ele exemplificou com o crescimento do agronegócio, que em cinco décadas ampliou a produção de grãos de 38 milhões para 340 milhões de toneladas, com impactos diretos na pecuária, evidenciando o potencial de evolução tecnológica e produtiva do país. O executivo defendeu, ainda, a necessidade de negociação estruturada e preparação prévia em relações internacionais, citando exemplos de estadistas que seguiram esse caminho. O diálogo contínuo e estratégico permite ao Brasil manter espaço no mercado global, mesmo diante de medidas protecionistas e políticas externas adversas. Assista:

Fonte: Brasil mantém volume de exportações de carne: México passa a enviar produto brasileiro aos EUA