Postado em 02/09/2025
freio na atividade econômica
Indicadores sinalizam freio na atividade econômica para 2º semestre
A análise do economista Otto Nogami considera dois grupos de dados divulgados recentemente: a variação de preços e os índices de confiança do mercado. O IPCA-15, prévia da inflação ao consumidor, apresentou queda de 0,14%, enquanto o IGP-M, indicador de referência para reajustes de aluguel, registrou alta de 0,36%. No campo da confiança, os índices referentes ao comércio, aos serviços, à indústria, à construção civil e aos consumidores apresentaram recuo em julho e agosto. Segundo Nogami, a diferença entre o IGP-M e o IPCA-15 sugere que a desinflação percebida pelo consumidor pode não se sustentar, uma vez que a elevação dos custos das empresas tende a ser repassada futuramente aos preços finais. O enfraquecimento da confiança industrial tem impacto direto nos investimentos, já que empresas tendem a postergar planos de expansão ou modernização diante de incertezas. Esse movimento pode restringir a capacidade produtiva, gerando limitações no médio prazo. A correlação entre os indicadores evidencia uma sequência de efeitos na economia. O comércio e a indústria, ao registrarem queda de confiança e redução de vendas, afetam o setor de serviços, que depende do desempenho desses segmentos. Esse encadeamento contribui para a desaceleração da atividade econômica. Para Nogami, o recuo do IPCA-15 pode representar apenas um alívio temporário, já que o avanço do IGP-M indica pressões de custos ainda presentes.
A ausência de investimentos consistentes e a baixa confiança do mercado dificultam a ancoragem das expectativas inflacionárias. A leitura do economista aponta que a combinação de custos de produção em alta com a retração dos indicadores de confiança sinaliza a possibilidade de desaquecimento econômico, mesmo diante de dados atuais de inflação ao consumidor aparentemente controlados. Assista:
Fonte: Indicadores sinalizam freio na atividade econômica para 2º semestre