Postado em 08/04/2026
Guerra leva a inflação
O cenário econômico global segue marcado por incertezas, e, infelizmente, as perspectivas não são tão animadoras quanto se esperava meses atrás. No final de 2025, havia uma expectativa relativamente otimista de queda da taxa de juros, com projeções indicando uma redução de 15% para 12,25%. No entanto, o agravamento das tensões geopolíticas, especialmente envolvendo o conflito entre Irã e Estados Unidos, alterou de forma significativa esse panorama, trazendo impactos diretos sobre inflação, custos produtivos e decisões empresariais. Segundo o professor do Insper Roberto Dumas, o principal efeito desse conflito está no chamado choque de oferta. A destruição e a ameaça à infraestrutura energética elevam os preços de insumos essenciais como petróleo, diesel, fertilizantes e, consequentemente, alimentos. Mesmo que o conflito tenha uma resolução relativamente rápida, a recomposição dessa infraestrutura pode levar meses, prolongando os efeitos inflacionários. Esse aumento de custos se espalha por toda a cadeia produtiva, pressionando empresas e consumidores. Como resultado, a inflação tende a subir, podendo voltar ao patamar de 4,5% ou até alcançar 5%, enquanto a taxa de juros deve permanecer em níveis elevados, possivelmente estabilizando-se entre 13% e 13,5%. Para pequenas e médias empresas, esse cenário é especialmente desafiador, pois encarece o crédito e reduz a capacidade de consumo da população, já bastante comprometida com dívidas e encargos financeiros. Diante desse contexto, é fundamental adotar uma postura cautelosa. A combinação de inflação mais alta, juros resilientes e instabilidade geopolítica exige planejamento, controle financeiro rigoroso e decisões estratégicas mais conservadoras. Ainda que o governo tente mitigar parte desses efeitos, especialmente no preço dos combustíveis, há limitações estruturais que dificultam uma resposta imediata e eficaz. Assim, compreender o cenário macroeconômico torna-se essencial para atravessar um período que tende a ser mais desafiador para a atividade econômica. Assista:
Fonte: Prepare-se! Guerra nos leva a inflação em alta e juros mais resistentes