Guerra no Oriente Médio põe Petróleo em risco

Postado em 11/03/2026


Guerra no Oriente Médio põe Petróleo em risco

Guerra no Oriente Médio

O cenário internacional tem apresentado mudanças nas relações econômicas, comerciais e políticas entre países. Conflitos, disputas comerciais e decisões judiciais em grandes economias influenciam o comércio internacional, o preço de commodities e a organização das cadeias globais de produção. Professor Dr. Rabih Nasser nosso convidado para falar sobre o tema. Nasser é professor de Direito na Fundação Getúlio Vargas e doutor em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo. Durante a entrevista, o especialista analisou os impactos sobre a economia e o comércio global. Segundo ele, o mundo vive um período marcado por conflitos e mudanças no comportamento dos países em relação às normas que organizam as relações internacionais. Na avaliação do professor, esse processo vem ocorrendo há algum tempo e ganhou intensidade no último ano. Parte dessa instabilidade está ligada à redução da observância das regras internacionais, o que aumenta o nível de incerteza nas relações entre países. Um dos reflexos dessa situação envolve o mercado de energia, especialmente a circulação do petróleo no comércio mundial. O professor cita como exemplo a relevância do Estreito de Ormuz, por onde circula aproximadamente 20% da produção mundial de petróleo. Caso ocorram interrupções ou restrições nessa rota marítima, os efeitos podem atingir o preço do petróleo e gerar impactos econômicos em diversos países. Além da questão energética, aponta que conflitos e tensões internacionais também podem provocar mudanças logísticas e comerciais. Empresas e governos podem ser obrigados a buscar novas rotas de transporte e novas fontes de fornecimento de produtos, o que altera a organização do comércio internacional. Nas últimas décadas a globalização ampliou a integração entre economias por meio da fragmentação das cadeias de valor. Esse processo estimulou o crescimento do comércio internacional e intensificou o fluxo de bens, serviços e pessoas entre países. O contexto atual tende a gerar impactos nesse sistema. Viagens internacionais, transporte de mercadorias e comunicações podem sofrer alterações, exigindo adaptações por parte das empresas e dos agentes econômicos. Outro ponto analisado durante a entrevista foi a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre tarifas de importação adotadas pelo governo norte-americano. O tribunal decidiu que o presidente não possuía competência para aplicar determinadas tarifas com base em uma lei de 1974 utilizada como fundamento para medidas comerciais emergenciais. As tarifas haviam sido adotadas durante o governo de Donald Trump, iniciado em janeiro de 2025. Desde o começo da administração, o governo norte-americano passou a utilizar tarifas comerciais com diferentes justificativas previstas na legislação interna do país, como segurança nacional e medidas emergenciais. A decisão da Suprema Corte determinou a revogação dessas tarifas, incluindo uma sobretaxa de 40% aplicada sobre produtos brasileiros em julho de 2025. Com a decisão judicial, as medidas deixaram de produzir efeitos. Um dos desdobramentos da decisão envolve a possibilidade de devolução dos valores pagos pelas empresas importadoras. De acordo com o professor, erca de mil empresas já ingressaram com ações judiciais nos Estados Unidos para solicitar o reembolso das tarifas recolhidas, uma vez que a decisão da corte indica que a cobrança não possuía fundamento legal desde o início. Nesse contexto, a revogação das tarifas também pode provocar renegociação de contratos comerciais. Importadores norte-americanos que pagavam taxas mais elevadas tendem a revisar preços com exportadores estrangeiros, incluindo empresas brasileiras. Após a decisão judicial, uma nova tarifa de 10% foi aplicada sobre importações com base em outra justificativa legal relacionada à balança de pagamentos. A legislação utilizada prevê a possibilidade de aplicação de tarifas de até 15% por um período de até 150 dias. Apesar da incerteza, o especialista afirma que a revogação das tarifas mais elevadas abre espaço para a retomada de negócios entre exportadores brasileiros e empresas dos Estados Unidos. Durante o período em que a sobretaxa esteve em vigor, parte das exportações foi reduzida ou exigiu renegociação de preços. Ao analisar o cenário para os próximos meses, Nasser afirma que o ambiente internacional ainda apresenta incertezas. Segundo ele, medidas comerciais podem ser retomadas com base em outros instrumentos legais, como investigações previstas na chamada Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. Além disso, a proximidade das eleições norte-americanas pode influenciar decisões econômicas e comerciais adotadas pelo governo. O período de 150 dias previsto para a aplicação das novas tarifas pode funcionar como uma fase de reavaliação das políticas comerciais. Nesse contexto, o professor também menciona a relevância de acordos comerciais em negociação, como o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que pode ampliar a integração econômica entre as regiões. Assista:

 

Fonte: Guerra no Oriente Médio põe Petróleo em risco