Guerra no Oriente Médio pressiona inflação e juros nos EUA e no Brasil

Postado em 12/08/2026


Guerra no Oriente Médio pressiona inflação e juros nos EUA e no Brasil

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Guerra no Oriente Médio pressiona inflação e juros nos EUA e no Brasil

A continuidade da guerra no Oriente Médio voltou a colocar o petróleo no centro das preocupações sobre inflação e juros. O aumento da cotação do barril afeta custos de combustíveis, produtos industriais e fertilizantes, com possíveis impactos sobre as economias dos Estados Unidos e do Brasil. Para o economista Roberto Dumas, a alta do petróleo altera as perspectivas para a inflação norte-americana. O barril chegou a US$ 83, após avanço de 8% a 15%, em um cenário de continuidade dos conflitos na região. Segundo Dumas, a pressão sobre o petróleo também alcança outros segmentos da economia. A elevação da matéria-prima pode aumentar os preços de derivados, como plásticos, diesel e gasolina. O Oriente Médio também concentra parte relevante da produção e do transporte de fertilizantes, incluindo produtos fosfatados, nitrogenados, amônia e cloreto de potássio. Outro ponto destacado pelo economista é a importância do Estreito de Ormuz para o mercado internacional de energia. Por essa passagem circulam entre 20% e 25% do petróleo produzido no mundo. Uma redução na oferta tende a elevar os preços e ampliar os efeitos sobre a inflação. Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor (CPI) chegou a 3,5%. Para Dumas, a alta do petróleo pode interromper o movimento de desaceleração da inflação e reduzir o espaço para cortes de juros. Nesse cenário, a taxa pode permanecer entre 3,5% e 3,75% ou avançar 0,25 ponto percentual, com efeitos sobre a atividade econômica norte-americana e sobre outros mercados. No Brasil, a inflação medida pelo IPCA passou de 4,72% em maio para 4,64% em junho. A queda contribuiu para a alta da Bolsa no período, segundo a análise do economista. Com a pressão sobre os preços de energia e insumos provocada pelo conflito, a expectativa apresentada por Dumas é de uma nova alta da inflação em julho. A avaliação considera ainda o efeito da política monetária sobre a atividade econômica. Dumas explica que as decisões de juros produzem efeitos ao longo de um período estimado em cerca de 18 meses. Por isso, o horizonte relevante da política monetária deveria considerar os efeitos sobre a economia em períodos posteriores à decisão atual. Na avaliação do economista, a última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) ampliou esse horizonte para o primeiro trimestre de 2028, considerando uma inflação próxima de 3,3%, acima da meta de 3%. Com essa projeção, a Selic poderia encerrar o período em torno de 14%, enquanto o spread bancário permaneceria elevado. Para as micro e pequenas empresas, o cenário envolve pressão sobre custos, crédito e condições financeiras. Dumas também aponta alternativas de proteção patrimonial para quem possui recursos disponíveis para aplicação, citando investimentos atrelados ao IPCA e modalidades pós-fixadas vinculadas à Selic ou ao CDI. Enquanto o conflito no Oriente Médio persistir, empresas e investidores devem seguir ajustando decisões conforme o comportamento da inflação, dos juros e dos preços de commodities. Assista:

 

Fonte: Guerra no Oriente Médio pressiona inflação e juros nos EUA e no Brasil