Postado em 01/07/2025
O yuan
As análises diárias do mercado financeiro tradicionalmente concentram foco nas cotações do dólar, do euro e da libra esterlina. Esses indicadores ocupam lugar de destaque nos noticiários econômicos e orientam boa parte das decisões comerciais e de investimentos no Brasil. No entanto, uma moeda de crescente relevância segue quase sempre ausente dessas manchetes: o yuan. A observação é do economista Otto Nogami, que aponta essa omissão como reflexo de uma defasagem na leitura dos movimentos mais recentes da economia global. O yuan vem ganhando protagonismo nas transações internacionais, especialmente na Ásia. Sua presença se intensifica em negociações que envolvem países como China, Japão e outras economias do sudeste asiático — uma região que concentra cerca de metade da população mundial. Esse avanço tem impacto direto sobre a estrutura do comércio global e começa a reconfigurar a lógica de dependência exclusiva do dólar nas operações internacionais. No contexto brasileiro, a transformação também é perceptível. A composição das reservas cambiais do Banco Central passou por mudanças relevantes nos últimos anos. Hoje, o yuan ocupa a segunda posição em importância, atrás apenas do dólar norte-americano. Enquanto o dólar representa cerca de 78% das reservas, a moeda chinesa já se aproxima de 5%. Em 2019, esse percentual era de apenas 1,1%, ocupando posições inferiores no ranking cambial.
A trajetória de ascensão do yuan indica um movimento gradual de substituição do dólar e do euro em diversas transações comerciais. O euro, que ainda figura como terceira moeda mais presente nas reservas brasileiras, perdeu espaço relativo frente ao avanço chinês. A tendência, segundo Nogami, é que a presença do yuan se torne mais evidente nas coberturas da grande imprensa à medida que seu uso se consolidar nos fluxos financeiros internacionais. A mudança reflete uma reorganização geopolítica mais ampla, com impactos diretos no mercado monetário global. A diversificação de moedas nas reservas internacionais e nas operações de comércio exterior indica uma descentralização das referências cambiais. A emergência do yuan como alternativa viável aos tradicionais padrões ocidentais é parte de um redesenho que desafia estruturas estabelecidas há décadas. O acompanhamento atento desse processo é essencial para entender os rumos da economia global nos próximos anos. Assista:
Fonte: O yuan já é a quarta moeda mais usada no mundo