Postado em 04/06/2019
Os primeiros meses do governo Bolsonaro
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As recentes edições da pesquisa SIMPI/DataFolha mostram que, de uma maneira geral, os micro e pequenos industriais paulistas sempre se mantiveram otimistas em relação ao novo governo, acreditando na melhoria na situação econômica do país mesmo sem um indicador que, objetivamente, apresentasse qualquer tendência nesse sentido. No entanto, esse cenário vem mudando a passos largos.
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"De fato, desde as eleições, havia uma expectativa altamente positiva, em que o empresariado até apresentava uma certa pré-disposição em planejar o futuro, de realizar novos investimentos e ampliar sua capacidade de produção", afirma Otto Nogami, consultor econômico e professor dos programas Lato Sensu do INSPER. Porém, em entrevista ao programa de TV do SIMPI "A Hora e a Vez da Pequena Empresa", o especialista explica que, com o passar dos dias, a sociedade começou a perceber que todas a promessas feitas em campanha, principalmente aquelas mais contundentes, acabaram não saindo do papel, gradativamente transformando a euforia em desânimo.
"Com a inanição presente nos primeiros cem dias de governo Bolsonaro, começou a imperar um certo clima de desconfiança, com o consumidor passando a postergar suas compras e reduzindo o consumo, fazendo o empresário sentir a queda no volume de vendas. Ocorre, agora, um retrocesso na atividade econômica, traduzida pela sensível redução nos indicadores de confiança", esclarece ele.
De acordo com Nogami, é preciso que o governo saia urgentemente do campo da promessa e comece a apresentar resultados para conseguir reverter essa situação. "De fato, só a Previdência Social consome cerca de 48% da receita líquida do governo, o que torna prioritária a aprovação da reforma previdenciária. Contudo, não é só isso que pode ser feito para equilibrar as contas públicas e promover o crescimento do país. Outras medidas estruturantes podem e devem ser tomadas paralelamente, para que nossa economia volte a ser competitiva e possa gerar empregos e riquezas", diz ele, citando como exemplo a necessidade de estímulo à atividade da micro e pequena empresa, que é o esteio da economia do país. "Uma das saídas viáveis para a crise que vivemos é a promoção da igualdade de condição competitiva entre as empresas. Infelizmente, a atual estrutura tributária dispõe de diversos mecanismos fiscais que beneficiam as empresas de maior porte, mas que não contemplam as micro e pequenas", esclarece o professor, que complementa dizendo que a carga tributária proporcionalmente maior e o excesso de obrigações acessórias acabam empurrando as micro e pequenas para a informalidade. "Enquanto não houver apoio efetivo, menos burocracia e recursos públicos disponíveis para estimular a micro, pequena e média empresa, o país continuará a patinar", conclui ele.
Fonte: SIMPI