Postado em 11/05/2021
Relações do Estado, a livre iniciativa e as empresas
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"A situação do Brasil é dramática, sobretudo para as pequenas e médias empresas", afirma Walfrido Jorge Warde Junior, presidente do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE). Quem sobrevive a um ano de pandemia, lockdown e falta de incentivo governamental? Warde acredita que o cenário favorece apenas as grandes corporações. "Sem muita concorrência, aumentam seu poder de mercado e sua aproximação com o Estado, com o risco de estabelecer uma relação de domínio, visto que ela passa a ser provedora de produtos, serviços, postos de trabalho e ainda pode regular a demanda de consumo" alerta.

Warde avalia que a saída de multinacionais do Brasil é preocupante, mas previsível. "O nível de compromisso para continuidade de empresas no país é baixo e, à medida em que diminui o mercado consumidor em consequência da perda do poder aquisitivo, não faz sentido se manter aqui, pois a finalidade dessas empresas é gerar lucro", explica. Ele ressalta ainda a grave crise sanitária no Brasil, ultrapassando 400 mil mortes. "Não temos um projeto para sair da crise. Não conseguimos executar bem o lockdown, nem o distanciamento social e não estamos protegendo as pessoas", lamenta. Para ele, talvez estejamos próximos de uma curva decrescente de contágio e de morte, mas será uma chaga de natureza sanitária e econômica que não esqueceremos.
Quanto ao cenário político futuro, Warde prevê eleições polarizadas entre o presidente Bolsonaro e Lula, agora elegível. "Por outro lado, se houver um desgaste acentuado do presidente até lá, poderemos ter um candidato do centro no segundo turno com Lula", cogita. Em relação à reforma tributária, diz que falta consenso e uma proposta que proporcione distribuição de renda, alíquota progressiva e que, de fato, tire o ônus dos assalariados de sustentar o Brasil. Assista:https://youtu.be/suDbbumewYc